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02/08/2008

Cartas de amor

Adoro Fernando Pessoa. Desde o 12.º ano. Estudei aquilo que estava programado no plano de estudos daquele ano. Mas o fascínio por Pessoa nunca desapareceu. Na semana passada, estava a conversar com um amigo e lembrei-me do seguinte poema:

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Sim. Concordo. São ridículas. Tal como os filmes de amor, as canções de amor, os pares de namorados a assistir juntos a um pôr-do-sol... mas quem não gosta?! As cartas de amor (as tais, ridículas) foram substituídas pelas mensagens de telemóvel, pelos recados no messenger. Eu gostava tanto de voltar a receber uma carta de amor... de pegar numa carta de amor... de ler e reler uma carta de amor... por muito ridícula que seja!