Mostrar mensagens com a etiqueta Love is. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Love is. Mostrar todas as mensagens

07/06/2008

Há uns anos

Há uns anos havia uma doçaria "made in Spain" à venda em quase todos os cafés por este país fora. Uma porcaria cor-de-rosa, e por dentro era como uma esponjinha de nata. E que bom que era. E, principalmente, barato. Custava à volta de 50 escudos.

A mim e às minhas colegas não interessava muito o doce, mas sim os autocolantes que vinham dentro da embalagem. Umas coisinhas amorosas que, vim a descobrir, eram declarações de amor de Kim Casali ao seu marido... uma série de desenhos da colecção "Love is...". Não sei porque é que me lembrei disto, mas lembrei.

Naquela altura, eu devia andar na casa dos 12 ou 13 anos e gostava de um rapaz, o Vitor. Um loirinho muito engraçado, de olhos azuis. Era um verdadeiro bad boy: faltava às aulas, mandava piadas nas aulas, cabulava... um herói, portanto! Mandei-lhe vários daqueles bilhetes escritos nas aulas, à sucapa. Nunca fui do género "Queres namorar comigo: sim ou não?" - já na altura gostava de escrever. E escrevia muito. Se calhar, por isso é que nunca namorou comigo. Nunca me respondeu. Mas nos intervalos, vinha gozar comigo. E naquela altura, para mim, o amor era isso. Encontrei-o no último Verão. Lembrava-se de mim. Disse-me que era impossível alguém esquecer-se de mim. Ri-me e despedimo-nos.

Se, naquela altura, o amor era assim tão simples como um "gostas de mim: sim ou não?", porque é que complicamos tanto em adultos?

Idealizamos a cor do cabelo, a profissão, a forma de vestir e de (até!) falar. Idealizamos a forma do nariz, a espessura dos lábios... há medida que os anos passam, tornamo-nos exigentes. Perde-se a pureza do "amor à 1.ª vista". Ou então mudamos-lhe o nome. Começamos a chamar-lhe "química". Se há química, dá-se a oportunidade de conhecer melhor; se não há, nada feito.

Às vezes, gostava de voltar aos meus 12,13 anos... para que o amor voltasse a ser tão simples como um bilhetinho escrito na aula, tentando fugir aos olhos dos professores.