26/09/2009

Creep

I want you to notice
when I’m not around
You’re so fuckin’ special
I wish I was special

Creep, do álbum 'Pablo Honey' (1993) - Radiohead

Gostava que notasses quando não estou por perto / És tão especial / Gostava de ser especial. Foram os Radiohead que o disseram. E eu subscrevo.

16/09/2009

I Just Want You

There are no unlockable doors
There are no unwinnable wars
There are no unrightable wrongs
Or unsingable songs

There are no unbeatable odds
There are no believable gods
There are no unnameable names
Shall I say it again, yeah

There are no impossible dreams
There are no invisible seams
Each night when the day is through
I don't ask much

I just want you
I just want you

There are no uncriminal crimes
There are no unrhymable rhymes
There are no identical twins or
forgivable sins

There are no incurable ills
There are no unkillable thrills
One thing and you know it's true,
I don't ask much

I just want you
I just want you
I just want you
I just want you

I'm sick and tired of bein' sick and tired
I used to go to bed so high and wired, yeah - yeah, yeah, yeah
I think I'll buy myself some plastic water
I guess I should have married Lennon's daughter, yeah - yeah, yeah, yeah

There are no unachievable goals
There are no unsaveable souls
No legitimate kings or queens, do
you know what I mean? Yeah

There are no indisputable truths
And there ain't no fountain of youth
Each night when the day is through,
I don't ask much

I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you

14/09/2009

Someday we’ll Know

Someday we'll know
If love can move a mountain
Someday we'll know
Why the sky is blue

Someday we’ll Know, do álbum 'Maybe You've Been Brainwashed Too' (1998)– New Radicals

Um dia, tratei-te por "amor", mas não te apercebeste, porque falei baixinho. Tratei-te por "amor", porque me apeteceu, porque queria fazê-lo naquele momento, porque o coração assim me mandou, mas não ouviste. Não sei se teria sido melhor que ouvisses, apesar de não gostares. Foste o meu amor declarado durante uns centésimos de segundo.

Se tivesses ouvido, torcias o nariz. Mas, um dia, vou chamar-te "amor", alto e bom som, para tirar este peso do peito.

24/08/2009

Je danse avec l'amour

Tu danses avec l'amour
En oubliant le monde et le temps
Heureux comme peut l'être un enfant
Indifférente aux regards des gens
Je danse avec l'amour
Sur la symphonie des sentiments
Avec aisance
Je danse, regardez, je danse

Je danse avec l'amour, do álbum 'Insolitement Votre'(2005) - Charles Aznavour, com Mayra Andrade

A dança é um acto louco de intimidade. Enquanto se dança, há alguém que invade o nosso perímetro de conforto. As mãos, os corpos, os olhos tocam-se. Um antropólogo, Edward T. Hall, que estudei em tempos, definiu quatro tipos de distâncias mensuráveis: distância íntima, pessoal, social e pública, redesenhando o conceito de "proxémica".

Na dança, tal como na vida, não pensamos se estamos a ultrapassar os limites pessoais, sociais e íntimos de das outras pessoas. Vivemos apenas.

Enquanto que, em algumas sociedades, a distância íntima, em modo 'próximo, variável entre os 0 e os 45 centímetros, é proibida, quem pensa nisso quando dança ou vive, intimamente?

19/08/2009

Tempo

O tempo perguntou ao tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que não tem tempo de dizer ao tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem.

Trava-línguas popular

O tempo é horrível. Castrador. Exaustivo. Enervante. Especialmente quando temos ao nosso lado pessoas de quem gostamos muito. Irrita-te que duas horas pareçam 10 simples minutos. Irrita-me que um fim-de-semana, pintalgado de carinhos, pareça um par de horas.

11/08/2009

"Goodbye" Seems To Be The Hardest Word

What do I do to make you want me
What have I got to do to be heard
What do I say when it's all over
And sorry seems to be the hardest word

Sorry Seems to Be the Hardest Word, do álbum Blue Moves (1976) - Elton John

Permitam-me alterar o "Sorry" do título original para um mais nacional "Adeus", que nada tem a ver com a letra da música do Sir Elton.

Já por duas vezes encontrei no terminal dos expressos, em Lisboa, o mesmo pai e o mesmo filho a despedirem-se. Das duas vezes, partiram-me o coração. A criança, um rapazinho muito moreno, não deve ter mais de oito anos. Chora copiosamente, agarrado ao pai.

O pai, dono de uns lindos olhos azuis, conforta o filho, com beijos no cabelo, de uma forma muito controlada. Até que, inevitavelmente, o pequeno tem de entrar no veículo. Nessa altura, das duas vezes, o pai coloca os óculos escuros para que o filho não o veja a chorar, aumentando a dor da separação.

Por duas vezes, vi o pai a acenar ao filho com uma mão, até o autocarro sair do seu campo de visão, enquanto que, com a outra mão, limpa as lágrimas. Sozinho. Naquele terminal onde, diariamente, centenas (milhares?) de pessoas se despedem.

Também já me despedi de uma pessoas umas quantas dezenas de vezes naquele mesmo local. A dor de me despedir começa no exacto instante em que ele me pergunta "Vamos andando?". E custa. Muito. Ainda para mais quando odeio dizer "adeus" que, na minha opinião, é a palavra mais feia do dicionário.

Por norma, nunca digo "adeus". Prefiro um "até à próxima", ou um "quando chegar, aviso", ou um "vai-te embora, escusas de ficar aqui". Evito o terrível "adeus", porque, ao contrário da música, "sorry" não é a palavra mais dura.

07/08/2009

Boa noite, Lua

So goodnight moon
I want the sun
If it's not here soon
I might be done
No it won't be too soon 'til I say goodnight moon

Goodnight Moon, do álbum 'I oughtta give you a shot in the head for making me live in ths dump' (2000) - Shivaree

Parece que a Lua foi ontem. Parece que foi ontem que a Lua estava ali, bem redonda. Mas ontem, não vi o céu. Acordei tarde demais e a rainha da noite já não me viu.

Parece que foi ontem que olhei para as estrelas. Circundavam a Lua. Azul, amarela, com tons castanhos-terra. Uma Lua Cheia, meia-Crescente, meia-Nova, meia-Minguante, meia-poente e meia-todos-os-outros-pontos-cardeais. Uma míriade de pontos clarinhos num tapete negro, como a tez de um gato.

Tinha a impressão que a Lua foi ontem, mas parece que me enganei. A noite soava a doce de morango. Ou a gelatina de ananás, não sei ao certo... mas tinha travos agridoces. A noite, ou a Lua, tanto tem de doce, como de quente, como de negra, como de clara... é, apenas!

Parece que a Lua foi ontem. E com ela, contámos tracinhos de cor. Parece, mas não foi. Foi há tanto tempo que já nem sei.