Ela sabia que era errado. Ele também. Mas o destino, esse incontornável destino, juntava-os. Juntos, parecia que o mundo deixava de existir. Parecia que tudo à volta estava desfocado. Parecia que tudo o resto não contava e que só eles existiam e respiravam. Respiravam-se.
Mas sabiam que era errado. Que não podia ser. Que não eram os únicos envolvidos. Sabiam, mas ignoraram. Uma vez. Uma só vez, a paixão falou mais alto, do que qualquer julgamento moral ou consciência gritante. Foi uma vez.
Surgiu o primeiro beijo. E muitos outros depois desse. As roupas, espalhadas pelo chão, coloriam aquela divisão da casa. E os corpos confundiram-se.
Não se falavam para que o momento perdurasse. Havia tanto a ser dito, mas tão poucas palavras foram trocadas. Para quê? Ela sabia o que ele pensava. Ele sabia o que ela pensava. A ânsia da paixão, do estarem juntos, do beijo, do cheiro da pele... foi só daquela vez. Pecaram. Juntos. <
As exigências do tempo. As contrariedades das responsabilidades fizeram-nos acordar para o mundo lá fora.
Até que surgiu o último beijo. Aquele que eles sabiam que selaria, para sempre, aquele amor. Um último beijo. O mais doce?
O último beijo. O primeiro fora há tão pouco tempo. Minutos apenas os separavam.
- Gosto muito de ti!
- Eu também!
- Não me sei despedir...
- Não digas adeus...
Disseram um silencioso “adeus”. Viraram costas e, separados, seguiram caminhos opostos. O fado estava traçado. E redesenhavam-se outros futuros.
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19/08/2008
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