19/08/2008

Destino final

Ela sabia que era errado. Ele também. Mas o destino, esse incontornável destino, juntava-os. Juntos, parecia que o mundo deixava de existir. Parecia que tudo à volta estava desfocado. Parecia que tudo o resto não contava e que só eles existiam e respiravam. Respiravam-se.

Mas sabiam que era errado. Que não podia ser. Que não eram os únicos envolvidos. Sabiam, mas ignoraram. Uma vez. Uma só vez, a paixão falou mais alto, do que qualquer julgamento moral ou consciência gritante. Foi uma vez.

Surgiu o primeiro beijo. E muitos outros depois desse. As roupas, espalhadas pelo chão, coloriam aquela divisão da casa. E os corpos confundiram-se.

Não se falavam para que o momento perdurasse. Havia tanto a ser dito, mas tão poucas palavras foram trocadas. Para quê? Ela sabia o que ele pensava. Ele sabia o que ela pensava. A ânsia da paixão, do estarem juntos, do beijo, do cheiro da pele... foi só daquela vez. Pecaram. Juntos. <

As exigências do tempo. As contrariedades das responsabilidades fizeram-nos acordar para o mundo lá fora.

Até que surgiu o último beijo. Aquele que eles sabiam que selaria, para sempre, aquele amor. Um último beijo. O mais doce?

O último beijo. O primeiro fora há tão pouco tempo. Minutos apenas os separavam.

- Gosto muito de ti!
- Eu também!
- Não me sei despedir...
- Não digas adeus...

Disseram um silencioso “adeus”. Viraram costas e, separados, seguiram caminhos opostos. O fado estava traçado. E redesenhavam-se outros futuros.

8 comentários:

sessaoexperimental disse...

so uma palavra...uiiiiiiiiiiiiiii :O

eheheh...mt bom :)

bj

Fernando Pessoa disse...

e porque é que não podiam?

:)

Cristina disse...

Calvin, obrigada :)

Fernando Pessoa, imagino que valores mais altos se levantavam :)

Beijo a ambos

Francisco disse...

"(...) mas procuram-se ainda, umas vezes nos rostos apressados que enchem as ruas por nde passam, outras vezes numa brisa que lhes afaga ao rosto quando passeiam junto ao rio. Talvez ela anseie esquecer, talvez ele deseje lembrar que o melhor de dois mundos só existe na sua imaginação. "

Cristina disse...

Francisco, sim. Só alteraria uma coisinha nesse final: na parte do "ela". Sugiro - Talvez ela recorde, com doçura, aquele dia em que foi só dele.

O meu convite ainda está de pé. Lembras-te? Beijo

DALAPA disse...

Muito bom....

xi

Cristina disse...

Dalapa, obrigada :)

Beijo

NI disse...

E deste a ti própria espaço para redesenhar outro futuro?

Ou, apenas de te conformaste?

Beijos