03/08/2009

Twenty Four Hours

Oh how I've realized, I wanted time
Put into perspective,
try so hard to find
Just for one moment I thought
I'd got my way
Destiny unfolded -
watched it slip away

Twenty Four Hours, do álbum 'Closer' (1980) - Joy Divison

Todos os dias escrevo milhares de caracteres. Tantos que lhe perco a conta. Sei apenas que, no final de cada semana, ascendo às centenas de milhares de caracteres escritos. Tantos que dariam um livro.

Um livro que, todos os dias, começo a escrever e que nunca termino. Um livro que me acompanha há meses sem que tenha pensado sequer na personagem principal, no seu nome, idade ou profissão. Um livro que não tem uma página de rosto.

Todos os dias penso no quanto gostaria de ser autora do meu próprio livro. Todos os dias sento-me à frente do computador e volto a pensar no meu livro nunca escrito. Todos os dias pego no meu caderninho de capa verde e anoto pensamentos que nunca passam disso mesmo: de anotações no caderninho de capa verde. Todos os dias abro o caderninho e olho para as centenas de linhas escritas e que nunca vão ver a luz do dia.

Desistir é isto?

3 comentários:

NI disse...

Não sei se é desistir.

O meu tem uma capa cinza :-)

Erica Vittorazzi disse...

Claro que não. Desistir é nem ter o caderno. Tenho vários. Escrevo nas agendas. Tenho dois livros com quinze páginas. E um que conseguir chegar ao final. O gostoso mesmo é escrever...

Miguel disse...

Talvez não tenha chegado a hora ainda... talvez estejas num processo de maturação... Já pensaste nisso?