Para sempre!
É muito tempo?
É pouco tempo?
É dúbio...
Para sempre. Ninguém ama para sempre, nem chora para sempre. Ninguém é feliz para sempre. Nem ninguém é miserável para sempre.
E ela... ela apercebeu-se disso quando ele disse "fim". A experiência em relações disfuncionais e irremediavelmente falhadas avisou-a que "para sempre" não existia. E o "fim" chegou. Chegou com o fim dos beijos ao sair de casa, das flores sem razão, dos jantares surpresa. O "fim" chegou. Chegou com o fim das mãos dadas no escuro do cinema, da mão no ombro no sofá da sala, das mensagens a meio da manhã...
Uma morte anunciada, pensou. Mesmo a experiência em relações disfuncionais, não evitava o sofrimento. Que mesmo não sendo "para sempre" doía como se fosse. Uma dor que só acalmava à noite, durante o sono, numa cama demasiado grande e demasiado fria para uma única pessoa.
O "fim" chegara por fim. Uma repetição de outros filmes. Mas nada dura "para sempre". Nem o amor... ou a dor. E ela sabia.
O "fim" chegara naquela tarde. Amena, por sinal. Uma tarde que ela sabe que se vai perder nos cofrezinhos da memória. Porque até as lembranças se perdem no tempo.
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23/06/2008
17/06/2008
Para sempre
Deitaram-se às 4 da manhã, depois de um dia (e noite) muito ocupado.
Antes disso, tinham estado a falar, encostados aos móveis da sala, como praticamente dois desconhecidos que eram. Um dia (e noite) de muita correria e stress que acabara assim: duas pessoas - um homem e uma mulher - encostados a um armário de vidro fosco, a conversar sobre banalidades.
Deitaram-se às 4 da manhã.
Ele foi à frente. Reservou para si o lado direito da cama. Ela seguiu-o. E, com gestos felinos, despiu-se. Nem assim desviou o olhar dele da televisão. Com os mesmos gestos felinos, deitou-se ao lado dele. Cabeça encostada no ombro dele e uma mão naquele peito quente.
Eram 4 da manhã.
Cansados depois de uma dia (e noite) de stress e de correria conta o tempo. Ela queria ficar assim para sempre. Ele nem por isso: acabara de se virar para o outro lado e dormia. Eram 4 da manhã e 12 minutos quando ela se apercebeu que o seu "para sempre" havia terminado. Exactamente, 12 minutos depois de se terem deitado.
Ele, de costas viradas, e ela, a chorar silenciosamente, no lado da janela, no lado esquerdo da cama. Eram dois quase estranhos que partilhavam o mesmo leito. Dois quase estranhos magoados pelo amor. Dois amantes por conveniência, mas que de amantes tinham muito pouco.
Antes disso, tinham estado a falar, encostados aos móveis da sala, como praticamente dois desconhecidos que eram. Um dia (e noite) de muita correria e stress que acabara assim: duas pessoas - um homem e uma mulher - encostados a um armário de vidro fosco, a conversar sobre banalidades.
Deitaram-se às 4 da manhã.
Ele foi à frente. Reservou para si o lado direito da cama. Ela seguiu-o. E, com gestos felinos, despiu-se. Nem assim desviou o olhar dele da televisão. Com os mesmos gestos felinos, deitou-se ao lado dele. Cabeça encostada no ombro dele e uma mão naquele peito quente.
Eram 4 da manhã.
Cansados depois de uma dia (e noite) de stress e de correria conta o tempo. Ela queria ficar assim para sempre. Ele nem por isso: acabara de se virar para o outro lado e dormia. Eram 4 da manhã e 12 minutos quando ela se apercebeu que o seu "para sempre" havia terminado. Exactamente, 12 minutos depois de se terem deitado.
Ele, de costas viradas, e ela, a chorar silenciosamente, no lado da janela, no lado esquerdo da cama. Eram dois quase estranhos que partilhavam o mesmo leito. Dois quase estranhos magoados pelo amor. Dois amantes por conveniência, mas que de amantes tinham muito pouco.
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