22/03/2010
24/01/2010
21/12/2009
Visão
Amar Teus Olhos, de Carlos Melo Santos
Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.
Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos
escrever o verbo semear
e ser tua pele
a terra de nascer poema.
Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.
Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.
A Música: Mind's Eye, de Wolfmother
Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.
Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos
escrever o verbo semear
e ser tua pele
a terra de nascer poema.
Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.
Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.
A Música: Mind's Eye, de Wolfmother
14/11/2009
Olfacto
Sei exactamente quando entras numa sala. O teu cheiro invade-me, provocando ondas eléctricas que não sei controlar. Ondas vindas não sei muito bem de onde, que provocam um não sei quê de emocionante que me fazem andar à roda e desejar estar longe do mundo e ainda mais perto de ti.
A Música: Smells Like Teen Spirit, na voz de Patti Smith
A Música: Smells Like Teen Spirit, na voz de Patti Smith
Five Senses
Há muito que tinha a ideia de publicar uma série de cinco textos. Cada um a seu dia, cada um com um sentido diferente.
Hoje, apresento o "Olfacto".
Aceito sugestões musicais para os outros quatro sentidos: Tacto, Visão, Sabor e Audição.
Hoje, apresento o "Olfacto".
Aceito sugestões musicais para os outros quatro sentidos: Tacto, Visão, Sabor e Audição.
08/10/2009
Scorpion Flower
Can I steal your mind for a while?
Can I stop your heart for a while?
Can I freeze your soul and your time?
Scorpion flower
Token of death
Ignite the skies with your eyes
Scorpion Flower, do álbum 'Night Eternal' (2008) - Moonspell
Às vezes, mas só às vezes, gostava de congelar almas, tempo, corações e mentes só para ter a leve sensação que tenho algum poder sobre alguma coisa. Mas, a humanidade que em mim reside não mo permite e dou por mim a ser dominada pelos meus (singulares) sentimentos .
04/10/2009
Piece Of My Heart

I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take another little piece of my heart now, baby, (break a..)
Break another little bit of my heart now, darling, yeah. (have a..)
Hey! Have another little piece of my heart now, baby, yeah.
You know you got it if it makes you feel good,
Oh yes indeed.
Piece Of My Heart, do álbum 'Cheap Thrills' (1968) - Janis Joplin
Todos os dias, coloco mais uma pecinha naquilo que ando a construir. Até que, um dia, vou ter uma torre. Como aquelas das princesas.
(Foto daqui)
26/09/2009
Creep
I want you to notice
when I’m not around
You’re so fuckin’ special
I wish I was special
Creep, do álbum 'Pablo Honey' (1993) - Radiohead
16/09/2009
I Just Want You
There are no unlockable doors
There are no unwinnable wars
There are no unrightable wrongs
Or unsingable songs
There are no unbeatable odds
There are no believable gods
There are no unnameable names
Shall I say it again, yeah
There are no impossible dreams
There are no invisible seams
Each night when the day is through
I don't ask much
I just want you
I just want you
There are no uncriminal crimes
There are no unrhymable rhymes
There are no identical twins or
forgivable sins
There are no incurable ills
There are no unkillable thrills
One thing and you know it's true,
I don't ask much
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
I'm sick and tired of bein' sick and tired
I used to go to bed so high and wired, yeah - yeah, yeah, yeah
I think I'll buy myself some plastic water
I guess I should have married Lennon's daughter, yeah - yeah, yeah, yeah
There are no unachievable goals
There are no unsaveable souls
No legitimate kings or queens, do
you know what I mean? Yeah
There are no indisputable truths
And there ain't no fountain of youth
Each night when the day is through,
I don't ask much
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
There are no unwinnable wars
There are no unrightable wrongs
Or unsingable songs
There are no unbeatable odds
There are no believable gods
There are no unnameable names
Shall I say it again, yeah
There are no impossible dreams
There are no invisible seams
Each night when the day is through
I don't ask much
I just want you
I just want you
There are no uncriminal crimes
There are no unrhymable rhymes
There are no identical twins or
forgivable sins
There are no incurable ills
There are no unkillable thrills
One thing and you know it's true,
I don't ask much
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
I'm sick and tired of bein' sick and tired
I used to go to bed so high and wired, yeah - yeah, yeah, yeah
I think I'll buy myself some plastic water
I guess I should have married Lennon's daughter, yeah - yeah, yeah, yeah
There are no unachievable goals
There are no unsaveable souls
No legitimate kings or queens, do
you know what I mean? Yeah
There are no indisputable truths
And there ain't no fountain of youth
Each night when the day is through,
I don't ask much
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
I just want you
14/09/2009
Someday we’ll Know
Someday we'll know
If love can move a mountain
Someday we'll know
Why the sky is blue
Someday we’ll Know, do álbum 'Maybe You've Been Brainwashed Too' (1998)– New Radicals
Um dia, tratei-te por "amor", mas não te apercebeste, porque falei baixinho. Tratei-te por "amor", porque me apeteceu, porque queria fazê-lo naquele momento, porque o coração assim me mandou, mas não ouviste. Não sei se teria sido melhor que ouvisses, apesar de não gostares. Foste o meu amor declarado durante uns centésimos de segundo.
Se tivesses ouvido, torcias o nariz. Mas, um dia, vou chamar-te "amor", alto e bom som, para tirar este peso do peito.
24/08/2009
Je danse avec l'amour
Tu danses avec l'amour
En oubliant le monde et le temps
Heureux comme peut l'être un enfant
Indifférente aux regards des gens
Je danse avec l'amour
Sur la symphonie des sentiments
Avec aisance
Je danse, regardez, je danse
Je danse avec l'amour, do álbum 'Insolitement Votre'(2005) - Charles Aznavour, com Mayra Andrade
A dança é um acto louco de intimidade. Enquanto se dança, há alguém que invade o nosso perímetro de conforto. As mãos, os corpos, os olhos tocam-se. Um antropólogo, Edward T. Hall, que estudei em tempos, definiu quatro tipos de distâncias mensuráveis: distância íntima, pessoal, social e pública, redesenhando o conceito de "proxémica".
Na dança, tal como na vida, não pensamos se estamos a ultrapassar os limites pessoais, sociais e íntimos de das outras pessoas. Vivemos apenas.
Enquanto que, em algumas sociedades, a distância íntima, em modo 'próximo, variável entre os 0 e os 45 centímetros, é proibida, quem pensa nisso quando dança ou vive, intimamente?
19/08/2009
Tempo
O tempo perguntou ao tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que não tem tempo de dizer ao tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem.
Trava-línguas popular
11/08/2009
"Goodbye" Seems To Be The Hardest Word
What do I do to make you want me
What have I got to do to be heard
What do I say when it's all over
And sorry seems to be the hardest word
Sorry Seems to Be the Hardest Word, do álbum Blue Moves (1976) - Elton John
Permitam-me alterar o "Sorry" do título original para um mais nacional "Adeus", que nada tem a ver com a letra da música do Sir Elton.
Já por duas vezes encontrei no terminal dos expressos, em Lisboa, o mesmo pai e o mesmo filho a despedirem-se. Das duas vezes, partiram-me o coração. A criança, um rapazinho muito moreno, não deve ter mais de oito anos. Chora copiosamente, agarrado ao pai.
O pai, dono de uns lindos olhos azuis, conforta o filho, com beijos no cabelo, de uma forma muito controlada. Até que, inevitavelmente, o pequeno tem de entrar no veículo. Nessa altura, das duas vezes, o pai coloca os óculos escuros para que o filho não o veja a chorar, aumentando a dor da separação.
Por duas vezes, vi o pai a acenar ao filho com uma mão, até o autocarro sair do seu campo de visão, enquanto que, com a outra mão, limpa as lágrimas. Sozinho. Naquele terminal onde, diariamente, centenas (milhares?) de pessoas se despedem.
Também já me despedi de uma pessoas umas quantas dezenas de vezes naquele mesmo local. A dor de me despedir começa no exacto instante em que ele me pergunta "Vamos andando?". E custa. Muito. Ainda para mais quando odeio dizer "adeus" que, na minha opinião, é a palavra mais feia do dicionário.
Por norma, nunca digo "adeus". Prefiro um "até à próxima", ou um "quando chegar, aviso", ou um "vai-te embora, escusas de ficar aqui". Evito o terrível "adeus", porque, ao contrário da música, "sorry" não é a palavra mais dura.
What have I got to do to be heard
What do I say when it's all over
And sorry seems to be the hardest word
Sorry Seems to Be the Hardest Word, do álbum Blue Moves (1976) - Elton John
Permitam-me alterar o "Sorry" do título original para um mais nacional "Adeus", que nada tem a ver com a letra da música do Sir Elton.
Já por duas vezes encontrei no terminal dos expressos, em Lisboa, o mesmo pai e o mesmo filho a despedirem-se. Das duas vezes, partiram-me o coração. A criança, um rapazinho muito moreno, não deve ter mais de oito anos. Chora copiosamente, agarrado ao pai.
O pai, dono de uns lindos olhos azuis, conforta o filho, com beijos no cabelo, de uma forma muito controlada. Até que, inevitavelmente, o pequeno tem de entrar no veículo. Nessa altura, das duas vezes, o pai coloca os óculos escuros para que o filho não o veja a chorar, aumentando a dor da separação.
Por duas vezes, vi o pai a acenar ao filho com uma mão, até o autocarro sair do seu campo de visão, enquanto que, com a outra mão, limpa as lágrimas. Sozinho. Naquele terminal onde, diariamente, centenas (milhares?) de pessoas se despedem.
Também já me despedi de uma pessoas umas quantas dezenas de vezes naquele mesmo local. A dor de me despedir começa no exacto instante em que ele me pergunta "Vamos andando?". E custa. Muito. Ainda para mais quando odeio dizer "adeus" que, na minha opinião, é a palavra mais feia do dicionário.
Por norma, nunca digo "adeus". Prefiro um "até à próxima", ou um "quando chegar, aviso", ou um "vai-te embora, escusas de ficar aqui". Evito o terrível "adeus", porque, ao contrário da música, "sorry" não é a palavra mais dura.
07/08/2009
Boa noite, Lua
So goodnight moon
I want the sun
If it's not here soon
I might be done
No it won't be too soon 'til I say goodnight moon
Goodnight Moon, do álbum 'I oughtta give you a shot in the head for making me live in ths dump' (2000) - Shivaree
Parece que a Lua foi ontem. Parece que foi ontem que a Lua estava ali, bem redonda. Mas ontem, não vi o céu. Acordei tarde demais e a rainha da noite já não me viu.
Parece que foi ontem que olhei para as estrelas. Circundavam a Lua. Azul, amarela, com tons castanhos-terra. Uma Lua Cheia, meia-Crescente, meia-Nova, meia-Minguante, meia-poente e meia-todos-os-outros-pontos-cardeais. Uma míriade de pontos clarinhos num tapete negro, como a tez de um gato.
Tinha a impressão que a Lua foi ontem, mas parece que me enganei. A noite soava a doce de morango. Ou a gelatina de ananás, não sei ao certo... mas tinha travos agridoces. A noite, ou a Lua, tanto tem de doce, como de quente, como de negra, como de clara... é, apenas!
Parece que a Lua foi ontem. E com ela, contámos tracinhos de cor. Parece, mas não foi. Foi há tanto tempo que já nem sei.
03/08/2009
Twenty Four Hours
Oh how I've realized, I wanted time
Put into perspective,
try so hard to find
Just for one moment I thought
I'd got my way
Destiny unfolded -
watched it slip away
Twenty Four Hours, do álbum 'Closer' (1980) - Joy Divison
Todos os dias escrevo milhares de caracteres. Tantos que lhe perco a conta. Sei apenas que, no final de cada semana, ascendo às centenas de milhares de caracteres escritos. Tantos que dariam um livro.
Um livro que, todos os dias, começo a escrever e que nunca termino. Um livro que me acompanha há meses sem que tenha pensado sequer na personagem principal, no seu nome, idade ou profissão. Um livro que não tem uma página de rosto.
Todos os dias penso no quanto gostaria de ser autora do meu próprio livro. Todos os dias sento-me à frente do computador e volto a pensar no meu livro nunca escrito. Todos os dias pego no meu caderninho de capa verde e anoto pensamentos que nunca passam disso mesmo: de anotações no caderninho de capa verde. Todos os dias abro o caderninho e olho para as centenas de linhas escritas e que nunca vão ver a luz do dia.
Desistir é isto?
29/07/2009
A Warm Place
The best thing about life is knowing you put it together
A Warm Place, do álbum The Downward Spiral (1994) - Nine Inch Nails
Segundo a Wikipédia, este álbum dos NIN na sua versão 'deluxe' tem uma particularidade em relação ao original: mais um decibel de volume. Às vezes, acontece isso com as pessoas: aumentam o volume e as capacidades, sem se aperceberem disso.
É fácil distinguir aqueles que gostam de chamar a atenção, porque, pura e simplesmente, precisam dela como de pão para a boca. Há muito anos, alguém me disse que o meu pior defeito era gostar de estar no centro das atenções. Foi há muitos anos, mas aquilo marcou-me.
Mas marcou-me mais, quando, há relativamente pouco tempo, outro alguém me disse a mesma coisa, por outras palavras. Mais comedidas, mais 'politicamente correctas', mas com o mesmo objectivo. Fiquei a pensar se sou mesmo assim e nunca me apercebi, ou se aquelas pessoas viam outra pessoa que não eu. Nunca cheguei a nenhuma conclusão, mas decidi-me a baixar decibéis na minha vivência.
Não sei se se tratou de uma correcção de estilo ou de maturidade, mas qualquer coisa se passou em mim.
24/07/2009
Art
He asked us what our favorite work of art was,
But never could I tell it was him
The Art Teacher, do álbum 'Want Two' (2004) - Rufus Wainwright
Com ele (em pano de fundo), li, na parede branca do museu, a seguinte frase: "A beleza só existe no instante da criação ou no momento em que admiramos uma obra".

'Os Mensageiros', pintura de Gao Xingjian (2006)
19/07/2009
27/05/2009
12/05/2009
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